18/05/2017

[Report] VIRALATA: Festa de apresentação de 'Rota de Colisão' em Lisboa

Foto: Nuno Cruz | Música em DX
 Depois de em 2014 terem apresentado o seu segundo trabalho “Doa a Quem Doer” no mesmo lugar, eis que, volvidos menos de três anos, os Viralata regressaram ao RCA Club para apresentarem “Rota de Colisão”, terceiro álbum de uma viagem que começou em 2010 e que conduziu o grupo até ao cume do Punk Rock português, sendo um dos conjuntos mais populares dentro do espectro.

Motivo pelo qual a expectativa em torno da noite de 12 maio fosse enorme, aguçada ainda mais pelos temas do novo trabalho que já circulavam no youtube da banda e que davam o mote para mais um grande álbum de puro Punk Rock de intervenção na língua de Camões, pincelado de maneira magistral pelo humor tão carismático dos Viralata.

Convidados para apadrinhar o lançamento de “Rota de Colisão”, os veteranos Dalai Lume, subiram a palco cerca das 22h45.
Foto: Nuno Cruz | Música em DX
Formado em 2006, o quarteto Lisboeta encontrou uma sala que não teria ainda mais de 100 pessoas mas que rapidamente foi enchendo ao som do seu Punk rock, recheado de palavras de ordem, emanando a atitude reivindicativa e contestatária que é o catalisador das suas energéticas atuações. Com uma setlist focada nos dois álbuns editados “Para Manter a Chama Viva” de 2009 e “Sentido Proibido” de 2013, começaram pelo primeiro com ‘Soluções’ provocando desde logo algumas reações, num público ainda tímido, não beneficiando do melhor som ao nível da voz, situação que iria ser corrigida com o avanço da actuação. 

Tentando compensar o ligeiro atraso com que começaram a atuação, desfilaram os primeiros temas em modo no stop, destacando-se desde logo o som da guitarra de Rodrigo, que encontra sempre espaço para assumir protagonismo, com belos e técnicos riffs e solos.

A satisfação do público face ao desempenho da banda comprovava-se pelos aplausos incessantes com que brindava o grupo após cada tema. Com o álbum de 2013 a assumir protagonismo, tocaram oito temas, a timidez do público ía cedendo, multiplicando-se os headbangings, os aplausos, e as vozes capazes de cantarem com a banda, à medida que a casa ia enchendo até obrigar a alguma criatividade de alguns para terem visão para o palco.

Para o final regresso ao álbum de 2009, já depois de deste ao longo do set list terem tocado ‘soluções’, ‘borrego’, ‘miseráveis’, para fecharem em grande com tema ‘Dalai Lume’ com o vocalista Zorb a vir para o meio do público para interpretar o tema ladeado de mosh e vozes que se faziam ouvir mais altas para o acompanharem na canção.


Saíram de palco após um grande atuação, com a missão comprida, a casa cheia e a temperatura elevada para a recepção aos Viralata.


Cerca da meia-noite e com a casa a abarrotar de almas ansiosas, era a vez de os Viralata subirem a palco para apresentar ao seu público o seu terceiro trabalho “Rota de Colisão”.
Foto: Nuno Cruz | Música em DX
Correspondendo à ansiedade e curiosidade da plateia começaram por esse mesmo trabalho com ‘Estrelas Decadentes’ e ‘Remédio Santo’, dando inicio logo ao “bailarico” entre um público desejoso de celebrar. Se o primeiro tema, e primeiro single do novo álbum, já era conhecido da maioria do público, o segundo rapidamente foi assimilado confirmando logo desde inicio as boas expectativas face ao novo trabalho. Com “Doa a Quem Doer” viajaram ate 2014 ouvindo-se instintivamente muitas vozes no público a acompanhar o vocalista Ulisses Silva e muitos aplausos, que continuaram em ‘assalto’ do mesmo álbum, numa altura em que já se multiplicavam os mosh, crowd surfing, num público que correspondia com energia à energia que surgia em palco.

E porque celebrar o lançamento de um terceiro trabalho é também recordar o percurso até ali, foi com Paulo Gano, guitarrista original, que interpretaram os temas ‘Contagem’ e ‘Zé Ninguém’ do primeiro álbum “Vai Buscar” num belo momento de saudosismo e comunhão. 

Com o mosh definitivamente instalado na plateia retornaram ao último trabalho para apresentarem mais temas novos, ‘Confissão’, ‘Astronautas’ e ‘A nossa religião’ encontrando um público muito reactivo, que fazia os temas arrancarem sobe o embalo dos seus aplausos e nem os temas novos deixava de acompanhar na voz, particularmente ‘Astronautas’ que já há uns dias circulava nas redes sociais e que colocou um vaivém insuflável a viajar sobe o publico de mão e mão até ao final da atuação.
Foto: Nuno Cruz | Música em DX
Nova expulsão de energia surgiu quando interpretaram a clássica ‘F.A.M.E.L.’ recebida com entusiasmo redobrado por quem acompanha a banda pelo menos desde o álbum de 2012. Avançaram até 2014 para tocarem ‘Primeira vez’, antes de nova viagem até ao novo álbum, desta vez com Zorb dos Dalai Lume em palco para interpretar ‘Lúcio Fernando’, seguindo-se ‘Donos Disto Tudo’, com um belo trabalho de guitarras, e ‘És Linda’ ligeiramente mais calma mas nem por isso merecedora de reacções menos energéticas por parte da plateia.

Com João Guincho (Dapunksportif / Os Dias De Raiva) em palco foi a vez do tema ‘Carocho’ do primeiro trabalho, seguindo-se um dos temas de mais sucesso do grupo cantado por todos em plenos pulmões ‘E Vai Um Copo’, um música de celebração e amizade, para uma noite disso mesmo, a música nacional que resiste ao Mainstream faz-se disso mesmo, da comunhão entre público e banda, a amizade sobre as mesmas bandeiras.

Continuando no mesmo álbum seguiu-se ‘Burguês’ antes da última viagem ao novo álbum com ‘Tiro No Escuro’. Para o final os hits ‘Estamos juntos’ e o muito acarinhado ‘Ivone’ com o suor a escorrer no corpo de todos como testemunha de uma grande festa que fez subir a temperatura ao ponto de ebulição e não deixou ninguém parado.


Os Viralata saíram de palco sob aplausos com sorrisos rasgados no rosto, depois de cerca de hora e meia de atuação.


O Punk Rock português está vivo, enche salas e dá espetáculos memoráveis tanto para o público como para as bandas, como ficou provado num RCA Club lotado. “Rota de Colisão” é um álbum que segue na direção certa, que confirma os Viralata como um dos mais capazes representantes da cena, e que merece ser descoberto pelos fãs do género.

Mais uma vez nota positiva para o RCA Club, pelo bom som que proporcionou às bandas e pelo profissionalismo com que recebem quem ali se desloca para apoiar o underground nacional.


Texto: Henrique Duarte
Agradecimentos: Rastilho e Nuno Cruz Photography pela cortesia na cedência destas fotos.
Podem encontrar a report fotográfica completa desta noite no site Música em DX (clicar aqui)

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